Reviews

The Great Hack: tudo o que precisa de saber sobre o documentário

Já há algum tempo que queria ver o The Great Hack, ou na versão portuguesa, “Nada é privado: O Escândalo da Cambridge Analytica” mas a correria do dia-dia ainda não me tinha deixado. Por isso, aproveitei que iria estar oito horas presa dentro de um avião e, na véspera da viagem fiz download do documentário para poder ver offline.

Neste artigo trago-vos um resumo do documentário. Vou destacar os principais pontos abordados e que implicação tem este tema na vida de cada um de nós, utilizador de internet.

The Great Hack: O assunto

O grande tema deste documentário é o escândalo da Cambridge Analytica, que veio à tona em 2018 e que levantou sérias questões sobre a utilização dos dados pessoais. A história do The Great Hack é contada através da partilha de alguns dos protagonistas do processo e começa exatamente com David Carroll, um professor de comunicação digital que tentou, através de meios legais, ter acesso aos seus dados. Os restantes protagonistas são: Carole Cadwalladr, a jornalista que denunciou o caso, Brittany Kaiser, antiga colaboradora da Cambridge Analytica e Julian Wheatland, o diretor comercial da empresa.

Carole Cadwalladr

No entanto, por mais que este caso tenha sido falado nas notícias, é muito provável que muitas pessoas continuem sem perceber, exatamente, o que aconteceu. Portanto, vamos começar por aí.

Que empresa é esta, a Cambridge Analytica?

Antes do escândalo rebentar, muito pouca gente tinha ouvido falar neste nome. Ou melhor, os comuns cidadãos não. Mas esta empresa nunca fez por se manter secreta, muito pelo contrário. Os seus métodos inovadores e com resultados foram amplamente anunciados pela empresa e os seus serviços convenceram muitos dentro do meio político.

Estamos a falar de uma empresa cujo propósito era analisar dados e perceber como tirar o maior partido desses dados e dessa informação. Já ouviu falar no valor dos dados certo? Ao longo do documentário é referido que os dados já ultrapassaram o valor do petróleo, o que demonstra bem o poder que possuem. E esta empresa descrevia-se como sendo a agência de comunicação líder na utilização de dados. Não tenho dúvidas nenhumas que a tecnologia envolvida e os métodos eram extremamente inovadores; o problema aqui é a falta de ética envolvida.

A Cambridge Analytica trabalhava muito com eleições, com campanhas eleitorais, e o grande escândalo surge no contexto das eleições norte-americanas de 2016, nas quais Donal Trump foi vencedor.

O que aconteceu nas eleições norte-americanas de 2016?

Ainda bem que pergunta. Nesta altura, a empresa foi contratada para colaborar com a campanha de Donald Trump e, como a base da sua actividade são precisamente os dados, a empresa criou um teste de personalidade, daqueles que eram muito comuns no Facebook há uns anos e que toda a gente gostava de fazer. Através deste simples teste de personalidade a Cambridge Analytica conseguiu arrecadar cerca de cinco mil pontos de dados sobre os eleitores dos Estados Unidos da América.

Algumas das informações obtidas através deste teste foram:

  • O que as pessoas valorizavam;
  • Em que acreditavam;
  • Que visão tinham do seu país e do mundo

Mas o problema não fica por aqui. O teste era uma espécie de porta de entrada no perfil da pessoa e com essa porta aberta era possível retirar todo o tipo de informação: gostos, comentários, posts e até mensagens privadas. E, como se não bastasse, era concedido acesso também à informação de todos os amigos dessa pessoa. Ou seja, se algum dos seus amigos tivesse feito aquele teste, a empresa teria acesso, automaticamente, a todos os seus dados.

Se isto não é falta de ética, então não sei o que é

Com toda esta informação nas mãos, era fácil perceber em quem é que as pessoas estariam dispostas a votar. E portanto, o que foi feito a seguir? O passo seguinte foi influenciar o voto e levar as pessoas a votar no candidato que se pretendida (neste caso, Trump). Como?

A empresa começou por identificar pessoas que chamaram de “persuasíveis” (uma palavra que acabei de inventar) – ou seja, pessoas que são facilmente influenciáveis e que por sua vez influenciam outras. O trabalho da Cambridge começava junto destas pessoas, apresentando a estas vídeos e imagens para lhes moldar a opinião. Todos estes conteúdos eram criados ao pormenor, com as palavras e com os sons certos para conseguir entrar na mente das pessoas e convertê-las para a causa republicana.

O documentário

Este é o mote para o filme, ou documentário The Great Hack. A grande invasão de privacidade, o acesso aos dados pessoais e privados de milhares de pessoas e manipulação a que estas foram sujeitas. A história é, de resto contada por algumas das pessoas envolvidas e inclui relatos de reportagens da altura.

The Great Hack

O caso interessa-me, obviamente pelas questões que levanta. Porém, em termos de qualidade do documentário em si, na minha opinião, fica muito a desejar. Estava constantemente à espera de mais, mais informação, mais desenvolvimentos, mais qualquer coisa. E não aconteceu. O assunto foi relatado, sim, mas havia muito mais para dizer e muito mais para aprofundar.

Quem sabe, pode ser que seja feito outro filme sobre o tema.

Mais alguém viu The Great Hack? O que acharam? Contem-me tudo e não me escondam nada!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *